
Como fazer para que as pessoas fiquem atentas ao que lhes rodeiam? Estava eu pensando e conclui, somos hipócritas. Questionaram-me o porquê, e eu educadamente respondi, mas antes vou descrever a situação: era uma manha de sol porém fria, estava com minha colega após uma aula, e um cachorrinho desses de rua, que em Pelotas tem aos montes, passou por nós com uma cara de pidão, minha colega quase que automaticamente soltou uma interjeição de caridade: “ó ó coitadinho!” mas me espantou que toda a preocupação que ela aparentou ter com o pobre animal acabou ali naquele exato momento.
Fiquei pensativo uns minutos, e ela me perguntou: “você está bem?” esperei mais um pouco e disse, somos hipócritas, ela me perguntou a razão da minha indignação, e eu respondi. Você agora a pouco demonstrou compaixão com o sofrimento do pobre cão de rua, mas parou, você não se preocupou em dar alimento para ele e nem se quer pensou em providenciar um abrigo para o animal.
Somos assim com os humanos também, quantas vezes passamos por moradores de rua e nos chocamos momentaneamente com aquela realidade aparentemente tão distante da nossa, mas nosso choque por maior que seja não passa de uma expressão: “Coitado!”
E seguimos nossas vidas, meia hora depois nem nos lembramos do rosto do pobre infeliz que estava lá jogado a própria sorte na calçada exposto a um frio de 5 graus. Ignoramos o sofrimento alheio pois fomos educados assim, nossas mães nos ensinaram a atravessar a rua quando víssemos um maltrapilho. E o que torna tudo ainda pior, é que vamos continuar a ensinar aos nossos filhos a atravessar a rua.
Quando nós pessoas evoluídas vamos aprender a tratar todos igualmente? Pois sabemos que por muitas vezes os moradores de rua não tiveram escolha, vêem de um local sem condições de convivência, famílias desestruturadas, filhos de uma sociedade que exclui, pois uma vez a pessoa estando mal vestida perambulando pelas ruas ela passa a não existir, as ignoramos completamente. O mais difícil de se morar nas ruas, é deixá-la , pois pelo simples fato de morar na rua exclui um ser de existir aos olhos de muitos, quem dirá conseguir uma oportunidade de emprego para conseguir mudar sua situação, ainda mais num país onde as taxas de desemprego sobem cada vez mais.
Se, falta emprego para pessoas formadas em universidades, o que vai sobrar para os excluídos que conseguem sobreviver (sub-viver = viver em condições abaixo das necessárias) nas ruas conseguindo um almoço hoje e nada nos próximos dois dias? Se nossas ações para tentar melhorar a vida de todos fossem tão fervorosas quanto nossas expressões de dó, o mundo estaria livre da pobreza e da miséria há muito tempo atrás.
SÓ PARA PENSAR...